Já está no ar o documentário ‘Quem São os Makers da Favela?’

O documentário fez parte do processo de pesquisa e aprendizado da Residência em Mídia e Tecnologia: Favelado 2.0 – Construindo Gambiarras para o Futuro. A residência de duas semanas, no Complexo do Alemão, debateu temas como criatividade, inovação, maker, gambiarra, criação na (da) favela.

O objetivo do documentário é repensar de onde vem os conceitos? Quem criam? Para quem são? E para quem servem? Criar e inovar no cotidiano são a ferramenta de resiliência e experimentação do pobre, preto e favelado. O documentário surge dessa indagação buscando, por isso, se apropriar e disputar o termo MAKER, Do-It-Yourself ou Faça- Você – Mesmo, mostrando que o morador de favela sempre fez por ele mesmo, ele é maker e já faz isso há muito tempo. Fica então a pergunta, porque continuam debatendo criatividade, inovação, cultura maker, sem pobre?

 

 

Anúncios

Documentário: Quem Sãos os Makers da Favela? (ESTREIA)

Nessa sexta (06) ás 20h no Bistrô Estação no Complexo do Alemão queremos compartilhar com amigos, parceiros, familiares e comunidade a estreia do documentário ‘Quem são os Makers da Favela?’, parte do processo de pesquisa e aprendizado da Residência em Mídia e Tecnologia: Favelado 2.0 – Construindo Gambiarras para o Futuro. A residência debateu temas como criatividade, inovação, maker, gambiarra, criação na (da) favela.

Residentes: Julio Mendes, Priscila Martinho, Rodrigo Vicente, Higor Gomes, Luiz Filipe, Samuel Sorriso, Jonas Bezerra, William Oliveira, Isys Maciel, Sabrina Martina, Alessandra Cardoso, Iris Keres, Kelson Succi, Larissa Neves, Carol Cristiman, May Ximenes, Robson da Silva, Thaty Guanabara, Thayna de Freitas e Karina Donaria.

Equipe: Thamyra Thâmara, João Lima, Marcelo Magano, Daiene Mendes, Mayara Donario

Participantes especiais: Raull Santiago, Lana Souza, Enderson Araújo, Ana Musa Cipriano, Carla Siccos.

Patrocínio: Fundação Via Varejo , Common Action Forum
Apoio: Nave do Conhecimento da Nova Brasília

REALIZAÇÃO: GatoMÍDIA

 

Pipas Conectadas + Morro dos Mineiros + GatoMÍDIA

Sábado rolou uma nova forma de soltar pipa com a galera do Pipas Conectadas e o GatoMÍDIA no Morro dos Mineiros.
Um sabadão delicioso de experimentação da criatividade, arte e tecnologia com a criançada!

Pipas Conectadas é um projeto de arte e tecnologia, que busca transformar a cultura de ‘soltar pipa’ em uma nova experiência digital. Vem com a gente , vamos usar tecnologia de jeitos diferentes, criar novas obras de arte, e expandir nossas ideias criativas.

Morro dos Mineiros

Nesse sábado ás 14h nós vamos ocupar o Morro dos Mineiros, Complexo do Alemão, com muita magia, arte e tecnologia. Vai rolar oficina do projeto Pipas Conectadas em parceria com o GatoMÍDIA.
O projeto, de arte e tecnologia, busca transformar a cultura de ‘soltar pipa’ em uma nova experiência digital.
Partiu soltar pipa na laje?

12593584_1576056256040812_824309667172963264_o

#Favelado2.0

Este vídeo foi produzido por Isys que participou da Residência de Março. Ela capturou imagens e vídeos aleatórios das oficinas e da semana de produção. E formou uma explosão de corações pra noix ❤

Olhem como ficou:

Vídeo das oficinas

Vídeo da semana produção

 

Residência Favelado 2.0 #bastidores #borafora

O que a gente leva da vida são os encontros. O que a gente leva da vida é a oportunidade de encontrar pessoas para sonhar junto, construir junto, amar junto e ser feliz jUMto!

Favelado 2.0 é o cara ou a mina da favela que está sempre conectado. Ele já nasceu na época do wifi livre e adora fazer uma boquinha. O seu celular é extensão do seu corpo e ele carrega pra lá e pra cá. Nada passa despercebido pelas lentes do seu android. O favelado 2.0 faz da lan house seu lugar de pesquisa e sociabilidade, gosta de mostrar seu talento com música, dança e moda fazendo vídeos pro youtube. Tem sua linguagem própria no facebook “noiz por noiz” e gosta de usar a timeline como diário de sua visão de mundo. Faz evento no facebook só para encontrar com os amigos. Adora fazer meme de si e da galera. Tem os muros da favela como lugar de expressão e o click como viralização.Ele tem o seu celular como dispositivo afetivo e a viela como principal inspiração.

Eu sou favelado 2.0 quando entro num shopping da zona sul e os seguranças brotam no corredor, passo tudo no cartão e exibo as sacolas na cara deles. Quando ando apressado numa calçada e vejo as senhorinhas brancas puxando suas bolsas e depois elas vão assistir a minha peça e ficam em choque. Quando quero ir à praia e penso na função combi, busão, metro linha 2, next stop estacio station, linha 1 até Ipanema. Quando volto do trabalho e tem troca de tiro no meio do caminho, faço logo amizade e fico na casa das tias, que são infinitas e sempre aparecem quando a gente precisa. Quando sou o único negro na turma da faculdade, na exposição, no teatro, no restaurante, na festa, no barzinho. Quando eu quero chegar em casa na madruga e não tem busão, acabou o metrô e não tenho grana pro táxi, colo logo nos amigos playba e fico pela casa deles. Quando subo a ladeira e os p2 acham que é suspeito um monte de preto subindo, mas nós não abaixa a cabeça não. Quando volto pra casa de ônibus com os moleques zoando pra caramba e a playboyzada olhando com mó raiva, aí é que a gente canta mais alto e faz até competição de passinho no fundão.

Eu me vejo como um favelado 2.0 quando pego o teleférico e vejo a galera na laje pegando sol, as mina fazendo marquinha com esparadrapo. Quando subo de mototaxi e os parceiros me param no meio do caminho pra tomar uma gelada. Quando espero a combi encher pra subir e a tia gorda senta do meu lado me esmagando. Quando entro por trás no busão e pago passagem levando o meu som pra geral. Quando a menozada joga bola no meio da rua impedindo o tráfego e do nada aparece um cavalo, uma carroça, galinha, moto, caminhão de material, caminhão da comlurb e eu acho que estou no meio da Índia. Quando chego duro no baile e meu copo tá sempre cheio. Quando a vó Maria passa mal e geral ajuda. Quando acaba o gás e eu grito a vizinha. Quando o menozin foge da escola e leva um cascudo. Quando subo o morro a pé e vejo os meninos, depois de alguns metros passam os p2, eu meto o pé e respiro aliviado por não ter encontrado os dois ao mesmo tempo. É casa aumentando, rua diminuindo. Exposição de fios, inovações arquitetônicas. Seu José pedreiro criando as gambiarras pra facilitar a nossa vida. É gatonet, águanet, cai a net, segura a net. Os menozin de smartphone hackeando a senha do wifi pra compartilhar vídeo no zapzap.

Sou favelado 2.0 quando entro num bar no jardim botânico e o gerente me recebe na porta me chamando pelo nome. Quando a mesma senhorinha branca que puxou a bolsa rapidamente quando passei por ela no Leblon me vê sentado na mesa ao lado tomando vinho branco e rodeado de intelectuais da arte. Quando as pessoas não entendem da onde eu saí e pra onde eu vou. Quando eu mostro que não preciso de um certificado para ser inteligente e criativo. É muita gente produzindo, criando e fazendo, tantos makers da favela que acabam inspirando grandes letras de funk.

Favelado 2.0 é o cara ou a mina da favela que é rataria quando o assunto são os aplicativos da moda e que não dispensa aquela selfie com os amigos, seja no futebol, no baile, na social na laje ou no almoço em família. Ele aprendeu que seu celular pode ser utilizado tanto pra zoação, como para registrar os esculachos, os delicados momentos de conflitos onde os direitos humanos são violados. Ele também é chamado pra ajudar aquela vizinha que comprou um aparelho celular e não sabe manusear. O favelado 2.0 é cria, tá na pista pra negócio, registrando tudo, nada passa batido, tá ligado nas novidades, se reinventando e fortalecendo a favela.

Texto coletivo: Julio Mendes, Priscila Martino, Rodrigo Vicente, Higor Gomes, Luiz Filipe, Samuel Sorriso, Jonas Bezerra, William Oliveira, Isys Maciel, Sabrina Martina, Alessandra Cardoso, Iris Keres, Kelson Succi, Larissa Neves, Carol Cristiman, May Ximenes, Robson da Silva, Thaty Guanabara, Thayna de Freitas, Karina Donaria, Thamyra Thâmara, Marcelo Magano e João Lima.

Fotos: João Lima

Colecionando Gambiarras

Seu Zé do Bode se demora num mesmo ponto enquanto pinta seu carrinho de supermercado. É ele que faz pose para as lentes que registram o seu trabalho. Seu Zé usa o carrinho para fazer o transporte de materiais reciclados e se define como “biscateiro”.

Já seu Severino recicla papelões há dez anos com o auxílio do popular burro sem rabo. É o que ele nos conta enquanto joga água sobre papelões. Segundo ele, a água ajuda a firmar os papelões durante o transporte.

Os meninos da barbearia improvisada ao ar livre fazem do muro o suporte ideal para os espelhos e instrumentos de trabalho e da calçada o espaço preferencial para receber os clientes. As lâminas usadas são guardadas numa latinha de nescau.

Na barraca que reúne itens tecnológicos, uma placa “Tem de Tudo” . E tem mesmo. No meio da sucata eletrônica encontramos até bonecos de pelúcia. E uma velha câmera analógica, exibindo aos passantes o reflexo de sua lente.

Ensaio fotográfico realizado na Residência: Favelado 2.0 – Construindo Gambiarras para o Futuro.

Fotografias: Iris Almeida, Isys Maciel, João Lima e May Ximenes.
Produção: Thatiany Guanabara.
Edição: William de Oliveira.
Supervisão e texto: João Lima.

IMG_6656

 

Rolé pela favela

O pobre não cria gambiarra apenas para o trabalho ou para resolver problemas de acesso e escassez. Ele também cria pelo simples prazer de inventar. Por experimentação estética. Nessa semana estamos mapeando essas invenções criativas, conversando e aprendendo com esses fazedores, produtores e ampliando o nosso olhar sobre quem são os makers da favela.

Experienciar e vivenciar o Complexo do Alemão. Uma parte da Zona Norte, uma parte da Favela e tantas partes de nós ali em cada tijolo, sol, vida e cor.

Fotos: João Lima

#GatoMÍDIA #makersdafavela #favelado #gambiarra

IMG_6151

IMG_6345

IMG_6310